Mico-leão preto salta na lista
Trabalho de conservação tira espécie da categoria “criticamente ameaçada” para “ameaçada” na lista vermelha da IUCN
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Foto: Thomas Berthelsen |
O mico-leão preto, espécie endêmica da Mata Atlântica, saiu da categoria de espécie “criticamente ameaçada” para “ameaçada” na lista vermelha 2008 (Red List 2008) da União Internacional para a Conservação da Natureza (em inglês, IUCN). A subida de um degrau na lista - parâmetro mundial de espécies em risco - pode ser considerada por muitos um pequeno avanço, mas é motivo de comemoração para instituições engajadas em trabalhos de preservação. O resultado é fruto do trabalho de conservação realizado pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê) há mais de 25 anos, no qual o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) foi um dos parceiros doadores.
A espécie foi redescoberta em 1970, já sob risco de extinção, no município de Teodoro Sampaio, no interior paulista. À época da redescoberta não havia nenhuma informação catalogada sobre o primata. No começo dos anos 80 o Instituto Ipê de Pesquisas Ecológicas iniciou um levantamento de dados a respeito da espécie no Pontal do Paranapanema, onde foram contabilizados apenas cerca de 150 animais. Os estudos evoluíram de avaliações básicas para levantamentos mais refinados à medida que o instituto angariava mais recursos para o projeto com diferentes parceiros.
Os dados apontaram os principais fatores que ameaçavam a espécie, e praticamente todos tinham como causa o desmatamento e as pressões ao habitat do animal, causados pela ação humana.
Como parte do trabalho de conservação, o Ipê iniciou trabalhos de educação ambiental nas comunidades, implementando alternativas econômicas e modelos de conservação. Em 2003 o projeto tomou novas proporções por meio de uma doação de R$ 480 mil do Funbio, dentro do Programa Fundos de Parceria, que viabilizou um mapeamento da espécie em toda região do interior paulista. A iniciativa permitiu a descoberta de novas populações do primata em áreas particulares.
“O levantamento da área gerou um impacto muito grande, pois além de ter possibilitado a descoberta de novas populações da espécie, conseguimos entender melhor o comportamento desse animal. É uma espécie plástica, adaptável, mas não consegue sobreviver sozinha”, explica a coordenadora do projeto no Ipê, Cristiana Saddy Martins.
Agora o desafio é maior, pois com a expansão da área ocupada pela espécie a continuidade do trabalho de conservação se amplia. Além disso, mesmo fora da lista mais crítica da IUCN, existem apenas 1.200 micos-leões pretos. O número é muito superior em relação à população estimada à época sua redescoberta, mas muito pequeno para que os responsáveis pelo projeto de conservação possam respirar aliviados. As ações de recuperação do habitat, os trabalhos de manejo, integração de áreas remanescentes e o monitoramento devem se manter por um bom tempo.
Segunda Cláudia de Souza, coordenadora do Programa Fundos de Parceria no Funbio, a saída do animal da lista da IUCN, a qual terá a nova versão publicada em outubro, foi uma grande conquista. Ela também acredita que a descoberta de novas áreas habitadas pela espécie é muito importante para a continuidade do projeto.
“Estamos felizes por ter contribuído com o projeto. Com a descoberta de novas áreas, foi iniciado um trabalho de educação ambiental e conscientização da população, em parceria com os governos locais, proprietários privados e ongs socioambientalistas”, disse Cláudia.
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