México, 27 de julho (IPS/IFEJ).- Um hospital, um jardim de infância e um escritório do governo da capital do México experimentaram, nos últimos dois anos, a instalação de terraços verdes. Agora, trabalhadores e usuários gozam dos benefícios. Há oito meses, foi instalado o primeiro telhado verde no Hospital Belisario Dominguez, em Iztapalapa, município metropolitano da capital mexicana. Com 1,8 milhão de habitantes, a área é a mais densamente povoada do país. Neste hospital de três andares, são dois terraços verdes: o maior fica no primeiro e o menor no terceiro. “Ter contato direto ou visual com uma área verde ajuda muito na recuperação dos pacientes. No Japão, quase todo hospital tem um teto com vegetação”, explicou ao Terramérica Tania Muller, responsável pelo projeto.
Segundo o diretor do Hospital, Osvaldo González La Riviere, “os funcionários desfrutam do espaço. No começo era usado pelos fumantes, mas pudemos controlar isso. Alguns pacientes souberam do terraço e pediram para dar um passeio por ele, com ajuda de seus familiares”. A instalação exige um impermeabilizante que contém um inibidor de raízes, em seguida um material de polietileno chamado dren, para evitar que a água escorra, e um produto geotêxtil que impede que as partículas finas do substrato cheguem ao teto. Finalmente, é colocado o substrato, mistura de materiais pétreos vulcânicos, mais leves do que a terra, e matéria orgânica para nutrir as plantas, que são plantadas em seguida. Não é necessário regá-las.
Uma seção do terraço verde do Hospital fica junto à área de ginecologia e obstetrícia. Para as mulheres que acabam de dar à luz, “é mais agradável ir à janela e ver a natureza, em lugar de um vendedor ambulante ou um caminhão soltando fumaça”, disse a subdiretora médica, Evangelina Sandoval. Além disso, “trabalhar com pacientes e enfrentar a morte causa estresse. Agora, em lugar de utilizar a saída habitual, muitos funcionários usam as saídas de emergência para passar pelo terraço”, acrescentou. No local trabalham mil pessoas.
O telhado verde mede mil metros quadrados, um décimo da superfície do Hospital. De solo de cimento passou a área verde com abelhas, borboletas e pássaros, contrastando com o denso tráfego de veículos e o concreto das redondezas. Foram plantadas três espécies nativas do Vale do México. “Todas são sedums, do gênero das crasuláceas”, explicou Müller, diretora de Reflorestamento Urbano, Parques e Ciclovias da cidade do México. O calor em “um terraço normal pode chegar aos 80 graus, contribuindo para o efeito ilha de calor (o aumento da temperatura em centros urbanos com poucas áreas verdes e muita pavimentação), ainda mais em uma cidade tão urbanizada com esta”, acrescentou.
Com a vegetação, a temperatura no terraço se mantém em 25 graus, muda o microclima, a umidade é devolvida ao ambiente e são retidos o pó e as partículas suspensas que afetam as vias respiratórias, disse a diretora. Além do mais, não é preciso impermeabilizar de novo o teto antes de 80 anos. Por isso, a Secretaria de Saúde deu luz verde para que o governo do Distrito Federal coloque terraços verdes nos 28 hospitais da cidade. Isto “é viável, mas precisamos de recursos. No mundo é preciso reajustar orçamentos, e é o que estamos avaliando”, afirmou Muller.
Semear um terraço custa US$ 95 por metro quadrado, tanto no México como na Europa ou nos Estados Unidos. Os resultados positivos são evidentes. É o caso do Centro de Desenvolvimento Infantil (Cendi), localizado no centro histórico, que atende 400 filhos de funcionárias do metrô da cidade. “Nas ruas próximas se concentra 50% da produção de frangos da cidade, o que causa forte contaminação do solo e do ar. Além disso, há muito tráfego e um alto índice de delitos”, explicou sua diretora, Nadia Tapia.
Ainda assim, deste jardim de infância surgem muitos dos modernos programas que mais tarde serão implementados no país. Por isso, em meados de 2008, o governo municipal inaugurou neste edifício de dois andares um telhado verde de 1.190 metros quadrados. Desde então, ao completarem dois anos, as crianças sobem para conhecê-lo. Os maiores, entre três e seis anos, trabalham em uma pequena horta, onde fazem compostagem (adubo orgânico) e cultivam tomate, batata, salsa, maçã e cactos. As crianças “relaxam, se distraem e ficam mais tranquilas e mais cooperativas no momento de passar à área pedagógica, aumentando sua capacidade de aprendizado”, disse ao Terramérica a pediatra do Cendi, Araceli Becerra.
A diretora explicou que “estas crianças são filhas de mães com baixa renda, 75% delas vivem em apartamentos muito pequenos e, devido à insegurança, não podem ir aos parques”. Ao conhecerem o terraço “se emocionam e querem tocar e observar”, contou a professora Rosa Muñoz. Segundo Muller, os terraços verdes são uma “alternativa de desenvolvimento urbano sustentável, sobretudo em uma cidade como esta, onde já não há lugar para fazer um parque ao nível do chão”.
Nas cidades da América Latina, a média de áreas verdes é de 3,5 metros quadrados por pessoa, quando a Organização Mundial da Saúde recomenda entre nove e 12 metros quadrados. “Na cidade do México teríamos nove milhões de metros quadrados verdes a mais se colocássemos um metro quadrado verde em cada telhado”, disse Alberto Fabela, responsável pelo terraço da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduvi). Desde abril de 2008, foram destinados para áreas verdes 900 metros quadrados do terraço deste prédio público de seis andares. A técnica usada é a hidroponia, ou cultivo em água.
Até agora, foram produzidas cerca de 21 mil plantas ornamentais, doadas às localidades de Coyoacán e Azcapotzalco, onde enfeitam jardins e eixos centrais de bulevares. Gerânio, cravo de defunto, kalanchoe, petúnia, todas elas são espécies “fortes, que resistem ao estresse de uma área com carros, ruídos, fumaça, gente”, disse Fabela. As plantas são produzidas com a ajuda dos 800 empregados da Seduvi, que têm a opção de dedicar uma hora semanal para manter, plantar e transportar. “Ensinamos a retirar folhas secas, colocar sementes. Obviamente, é um tipo de terapia. Damos uma hora a eles, mas o tempo passa rápido. Os mais receptivos são os jovens de 18 a 25 anos e as mulheres com mais idade”, disse Fabela.
O governo da capital espera que os mais de oito mil metros quadrados de terraços verdes instalados até agora em prédios públicos se convertam em um exemplo a ser seguido pelos empresários. No momento, estuda exigir das empresas que solicitem uma autorização de construção, para que entre 10% e 20% dos telhados sejam verdes, em troca de benefícios fiscais.
* Este artigo é parte de uma série produzida pela IPS (Inter Press Service) e pela IFEJ (Federação Internacional de Jornalistas Ambientais) para a Aliança de Comunicadores para o Desenvolvimento Sustentável (http://www.complusalliance.org).
Crédito da imagem: Verônica Díaz Favela/IPS
Legenda: O terraço verde do Hospital Belisario Dominguez pode ser usado por funcionários e pacientes.
Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.
Costa Rica é o lugar mais feliz e mais verde do mundo
Simon Briscoe Em Londres (Reino Unido)
A Costa Rica, o país com menos de 5 milhões de habitantes ensanduichado entre o Panamá e a Nicarágua, ficou no topo do ranking global de combinação de vida longa e feliz com limitada degradação ambiental.
Pássaros sobrevoam plantações em Tierra Blanca, Costa Rica
O país mistura um belo interior, uma grande diversidade de espécies e há muito tempo se livrou de seu exército. A fusão de seus ministérios da energia e meio ambiente reverteu o desmatamento e ajudou o país a produzir 99% de sua energia a partir de fontes renováveis. Ela também apresentou altas notas, em relação a outros países em desenvolvimento, nas pesquisas sobre pobreza, liberdade de imprensa e democracia.
O Índice Planeta Feliz ("Por que uma boa vida não precisa custar o planeta") publicado na sexta-feira pela New Economics Foundation, com sede no Reino Unido, combina medições de expectativa de vida, felicidade e pegada ecológica para avaliar a sustentabilidade do crescimento em 143 países.
O fato dos 10 mais da lista dos países "mais verdes e mais felizes" ser dominado pela América Latina pode gerar alguma desconfiança, já que a região é mais conhecida na imaginação ocidental por suas favelas, desigualdade e golpes de Estado. O Zimbábue ficou em último lugar, juntamente com uma dúzia de outros países do sul, leste e centro da África.
Mas os latino-americanos marcam muitos pontos, sugere o relatório, devido a aspirações não-materiais e forte capital social entre amigos e parentes. O desempenho ruim do mundo desenvolvido também pode levar alguns ocidentais a duvidarem do valor do relatório. Entre os países ricos, o mais bem colocado é a Holanda - mas apenas em 43º lugar. O Reino Unido fica na metade inferior do ranking - em 74º, atrás da Alemanha, Itália e França, mas à frente do Japão e da Irlanda. Os Estados Unidos se saem particularmente mal, em 114º lugar. Os países ocidentais apresentam longa expectativa de vida e as pessoas são razoavelmente felizes, mas os países sofrem no ranking devido à sua fraqueza ecológica, refletindo o nível elevado de consumo.
O desafio para o Ocidente, diz o relatório, não é continuar elevando a renda, mas buscar vidas mais significativas e laços sociais mais fortes. Essa pode ser uma meta distante a curto prazo, mas o índice está sendo divulgado em um momento em que os autores de políticas estão explorando medições mais amplas de progresso em vez de um desejo de apenas promover o crescimento. A "Comissão para Medição do Desempenho Econômico e Progresso Social" do presidente da França, Nicolas Sarkozy, deverá apresentar seu relatório em breve.
Os críticos dessas medições e índices dizem que são baseados em cálculos e dados arbitrários, mas a maioria aprecia sua contribuição para o debate das políticas.
"O Índice Planeta Feliz é uma das várias tentativas de 'ir além do PIB' e chamar atenção para aspectos importantes de nossa vida", disse Enrico Giovannini, estatístico chefe da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (Ocde). Mas, ele acrescentou, "é impossível capturar em um único indicador a complexidade de nossa sociedade".
Tradução: George El Khouri Andolfato
Em busca de soluções verdes
Por Thiago Romero
Agência FAPESP – Inspirados por um ditado germânico que diz ser “na penúria que nos tornamos inovadores”, cientistas, representantes de governo e empresários brasileiros e alemães estarão reunidos até domingo (15/3), em São Paulo, no congresso e na feira de inovações tecnológicas Ecogerma 2009. O evento tem o objetivo de discutir novas oportunidades no mercado de serviços e de produtos sustentáveis.
“Há muitos argumentos fortes para promover um evento como esse em tempos de crise, mas um dos principais é que existe uma excelente combinação entre o portfólio de tecnologias sustentáveis da Alemanha e do Brasil”, disse Rolf-Dieter Acker, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, promotora do evento, nesta quinta-feira (12/3), na capital paulista.
“Por isso, entendemos ser importante reunir 200 empresas, órgãos governamentais e institutos de pesquisa expositores com os cerca de 20 mil visitantes que são esperados por dia no evento”, complementou.
O diretor do Departamento de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, Ricardo Rose, defendeu que as inovações na área de sustentabilidade podem ser uma saída eficiente para alavancar a economia em períodos de crise.
“A Alemanha é o maior exportador de tecnologias ambientais e a Ecogerma, que terá todas as emissões de gases poluentes compensadas em outras atividades ambientais, vem para mostrar a importância de investir mais no mercado de tecnologias verdes”, disse.
Em reunião com a imprensa pouco antes da abertura oficial do evento, Thomas Kunze, diretor da consultoria Roland Berger, apresentou um estudo encomendado pela Câmara Brasil-Alemanha sobre o mercado de tecnologias sustentáveis. Intitulado “Greentech in Brazil”, foi feito em 2008 e 2009 a partir de entrevistas com representantes de 110 empresas nacionais e estrangeiras instaladas no país.
Segundo Kunze, o mercado de tecnologias sustentáveis no Brasil, que engloba basicamente três grandes áreas – energias renováveis, gestão ambiental e eficiência energética –, movimenta aproximadamente US$ 17 bilhões anuais, valor semelhante ao faturamento, por exemplo, das empresas do setor elétrico.
“Trata-se de um setor em franca ascensão, cujas estimativas apontam para um crescimento de 5% a 7% ao ano até 2020 – taxa bem superior à expectativa de crescimento da própria economia nacional –, podendo chegar a pelo menos US$ 22 bilhões anuais”, disse.
Com mais de 43% de sua matriz energética considerada “limpa”, principalmente por conta da geração de hidreletricidade e da produção de biocombustíveis, o estudo destaca que o Brasil atualmente é líder no segmento de energias renováveis, seguido pela Índia, que abriga matriz energética limpa de 31%, China (8%), Itália (7%), França e Alemanha – ambas com 6% –, Estados Unidos (5%), Rússia (4%) e Japão (3%).
Segundo o levantamento, por volta de 85% da matriz energética “limpa” no Brasil é composta por energia hidrelétrica e 14% por biocombustíveis utilizados no transporte rodoviário. “Estimativas indicam que o setor de biocombustíveis no país poderá chegar a 30% da matriz energética nacional até 2030. Para efeito de comparação, os Estados Unidos têm 1,3% e a União Europeia apenas 0,7% de sua matriz energética representada pelos biocombustíveis no transporte rodoviário”, disse Kunze.
O estudo aponta quatro segmentos como os mais propícios para a geração de tecnologias sustentáveis no país, que teriam potencial elevado de subsidiar intercâmbios para a transferência de conhecimentos entre pesquisadores e empresários brasileiros e alemães.
O primeiro é o setor das energias renováveis alternativas, sobretudo pelo uso da biomassa, energia eólica e exploração de pequenos rios e bacias hidrográficas. O segundo é a introdução de práticas mais eficientes de gestão de resíduos sólidos urbanos e industriais, incluindo a melhor separação do lixo para sua reciclagem e o reaproveitamento térmico dos materiais.
“Outro grande desafio para o Brasil, identificado junto às empresas, está no setor de água e saneamento, principalmente a redução de perdas. Por fim, o quarto segmento corresponde ao aumento da eficiência energética, em especial com a construção dos chamados “prédios verdes”, que trazem sistemas inovadores de aquecimento e refrigeração, por exemplo, e que utilizem materiais ecoeficientes”, contou Kunze.
Segundo ele, um importante resultado observado nas empresas entrevistadas foi que 46% investiram mais de 1% do faturamento em tecnologias sustentáveis. Desse total, 27% investiram até 3% e 14% investiram mais de 5% em soluções sustentáveis, entre as quais melhorias na gestão da água e na gestão de resíduos sólidos, redução de emissões atmosféricas, preservação ambiental e créditos de carbono.
O estudo “Greentech in Brazil” também apontou barreiras importantes para o desenvolvimento de soluções verdes no país. “A principal, de acordo com as empresas, ainda é o alto custo das tecnologias, com 32%, seguido pela falta de informação e divulgação das inovações, com 22%. Isso evidencia a necessidade de intercâmbios científicos entre pesquisadores de diferentes países”, apontou Kunze.
Falta de financiamento (17%) e leis desfavoráveis (15%) também apareceram com destaque. “O estudo mostrou, por outro lado, que somente 27% das empresas pretendem reduzir seus investimentos em tecnologias verdes até 2010, o que indica um baixo impacto da crise mundial sobre os investimentos em pesquisa e desenvolvimento”, disse.
Market Place of Innovations
Logo após a apresentação do estudo da Roland Berger foi realizada a abertura oficial da Ecogerma 2009 pelo ministro de Ciência e Tecnologia do Brasil, Sergio Rezende, e pela ministra de Educação e Pesquisa da Alemanha, Annette Schavan.
A Ecogerma 2009 conta ainda com um espaço para exibições de tecnologias e fóruns de discussão, o Market Place of Innovations, que se estenderá até 15 de março com a apresentação de soluções tecnológicas, políticas governamentais e empresariais sustentáveis em seis áreas principais: energia, tecnologias ambientais, infraestrutura, pesquisa e desenvolvimento, indústria e bens de consumo e agricultura.
“Estou convencida de que as empresas e instituições de pesquisa e ensino representadas na Ecogerma, brasileiras e alemãs, desenvolverão novas cooperações e transferências de inovações para que, no futuro, o mercado mundial de tecnologias ambientais possa ser melhor servido pelas atividades de pesquisa”, disse a ministra alemã.
“Para o Brasil é sempre uma grande satisfação abrigar eventos dessa natureza, em que tecnologias voltadas para a utilização sustentável dos recursos naturais se fundem com o conhecimento de dois países que têm longa tradição em produção de ciência e em transformação das descobertas em produtos úteis para a sociedade”, disse Rezende.
A FAPESP está presente no Market Place of Innovations com um estande que apresenta ao público diversos projetos de pesquisa e modalidades de apoio a pesquisa. Outra atração é a versão em português da exposição Brazilian Nature, lançada em Berlim, na Alemanha, em 2008.
A mostra tem como ponto de partida a Flora brasiliensis, obra do botânico alemão Carl Philipp von Martius (1794-1868) que até hoje é o mais completo levantamento da flora brasileira. Por meio de um projeto de pesquisa apoiado pela FAPESP – Flora Brasiliensis On-line e Revisitada – a obra de Martius foi disponibilizada na internet com atualização da nomenclatura das plantas. Os painéis que compõem a exposição trazem também dados do projeto Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo e do programa Biota-FAPESP.
Os painéis da exposição Brazilian Nature podem ser vistos, com legendas em português, inglês e alemão, no portal da FAPESP, em www.fapesp.br/publicacoes/braziliannature.
A partir de hoje, com a volta às aulas, os períodos de pico no trânsito belo-horizontino ficam cada vez mais extensos e já se prevê que o que se chamava, até há pouco, “horário de rush” abrangerá o dia todo. Se confirmada a estimativa de um aumento de 30% a 40% da frota, a lentidão nas ruas da capital será contínua. Está cada vez mais breve o intervalo de relativa tranqüilidade nas ruas, entre esses momentos de concentração de veículos nas vias. Altos investimentos em transporte público (ônibus e metrô), planejamento viário, aceleração da inspeção veicular mecânica - além da ambiental -, emprego de moderna engenharia de tráfego, incentivo à bicicleta e, principalmente, maiores restrições ao uso do automóvel são medidas que podem amenizar a situação, desde que adotadas com urgência.
Veja abaixo um vídeo do Pateta (estúdios Disney. estúdios Disney. estúdios Disney. estúdios Disney. estúdios Disney) produzido na década de 50 que retrata a sociedade do automóvel de forma educativa e atual.
Fosse o Código de Trânsito Brasileiro regulamentado e cumprido como foi prometido, não haveria bêbados ao volante, o número de atropelamentos seria menor, os motociclistas estariam sob rigorosa fiscalização, os carros sem condições de circular estariam fora das ruas, a civilidade seria maior e uma série de outros fatores de aumento da violência nas vias estariam excluídos.
Nos últimos anos, porém, a legislação de trânsito serviu para que as autoridades, em primeiro lugar, tivessem amparo para instalar equipamentos eletrônicos de controle de velocidade nas ruas e avenidas. Radares e lombadas eletrônicas fizeram a receita das multas se transformar numa das três maiores, principalmente nas grandes cidades, mas quase nada desses recursos foi investido na melhoria do trânsito.
Os besouros que comem florestas 05/12/2008 - O Eco - Manoel Francisco Brito
Inseto já destruiu um milhão e 200 mil hectares de florestas de coníferas no oeste dos Estados Unidos.
A criaturinha é preta, não cresce mais do que sete milímetros, tem forma cilíndrica e um nome científico que lhe cai muito bem: Dendroctonus (matador de árvores) ponderosae. Conhecido como besouro do pinheiro, já aniquilou um milhão e 200 mil hectares de florestas de coníferas no oeste dos Estados Unidos. O Serviço Florestal americano estima que, só no estado do Colorado, o inseto destruirá outros 5 milhões de hectares de matas nativas nos próximos anos. Os números são espantosos, mas não chegam nem perto das estatísticas apocalípticas que o bichinho produziu no Canadá.
Na Colúmbia Britânica, província mais oriental daquele país, ele se espalhou por 13,5 milhões de hectares, matou 600 milhões de metros cúbicos em volume de árvores e, de acordo com projeções do governo local, devastará pelo menos outros 400 milhões de metros cúbicos até 2020. Só aí, pela absoluta falta de pinheiros para destruir, a praga finalmente estará controlada. Mas, por enquanto, segue fazendo estragos. "E chegando onde nunca tinha estado antes", conta Doug Konkin, vice-ministro de Florestas da província, que passou pelo Brasil há três semanas.
Um desses lugares é a província vizinha de Alberta e o estado americano de Montana, no centro do continente. Ele aportou por lá no ano passado, depois de pular, com uma mãozinha dos ventos, uma barreira até então considerada instransponível: as Montanhas Rochosas. Sua chegada em lugares onde nunca tinha estado deixa os serviços florestais do Canadá e dos Estados Unidos com os nervos à flor da pele diante da possibilidade de que os insetos sigam consumindo pinheiros até esbarrarem no Oceano Atlântico. O besouro se transformou em desastre ambiental em meados da década de 1990.
Antes disso, não passava de um incômodo comum aos ciclos naturais das florestas do oeste norte-americano e para os milhares de turistas que as visitam no Verão. O besouro aparecia sempre nessa época e penetrava na casca dos pinheiros, escavando canais na membrana que recobre o miolo dos troncos para depositar seus ovos. Uma queda súbita dos termômetros no outono, abaixo de -25º centígrados, ou dias seguidos de frio intenso no Inverno, em torno de -40º, bastava para congelar a maior parte dos futuros besouros até a morte. Na primavera, os ovos sobreviventes viravam larvas que dividiam com as árvores os nutrientes que ambos consomem para crescer.
No verão, besouros maduros saiam voando para se acasalar, deixando para trás um ou outro pinheiro morto. Em 1997, os Dentroctonus repetiram esse ritual nas coníferas Parque Provincial de Tweedsmuir, ao norte de Vancouver. Mas o frio habitual não veio - nem no outono e nem no inverno. Na primavera, em abril do ano seguinte, nasceu uma quantidade nunca vista de larvas, que algumas semanas depois, já besouros adultos, bateram asas em busca de parceiros para reproduzir deixando para trás uma grande quantidade de árvores mortas. "O frio era fundamental para manter sob controle a população do besouro", conta Konkin. Ao contrário dos insetos, desde então o frio não voltou.
Ironias da infestação
Na Colúmbia Britânica, as temperaturas médias subiram entre 1º e 1, 7º Celsius nos últimos dez anos e a precipitação de chuva e neve caiu. Nessas condições, o número de insetos explodiu. Estima-se que há em média 10 bilhões deles consumindo as árvores da província. A oscilação para cima dos termômetros não demorou muito a ser associada pelos técnicos às mudanças climáticas. Os governos provincial e federal, no entanto, se recusavam a reconhecer o problema oficialmente. "Estávamos proibidos de dizer isso", conta Konkin.
A postura era reconhecer a infestação, mas considerá-la passageira. Há cinco anos, com os invernos continuando quentes e a incidência dos besouros aumentando, a política foi abandonada. "Tem uma hora que não dá mais para ir contra os fatos", diz. O problema é que essa atitude impediu que medidas para mitigar a infestação fossem adotadas mais cedo. À subida gradual da temperatura em zonas de altitude e nas latitudes mais ao Norte e a negação dos políticos de que a situação podia ser mais grave, juntaram-se outros fatores que também ajudaram no processo de transformação do inseto em praga.
Ironicamente, boa parte deles é resultado da aplicação de políticas de conservação nos últimos 50 anos nas florestas locais, como o controle de incêndios. "Nós ficamos muito eficientes no combate ao fogo", lembra Konkin. Tão eficientes que as chamas provocadas por eventos naturais deixaram de ter papel relevante na renovação desses ecossistemas florestais. Na época em que os termômetros desabavam no inverno, isso era um mérito. Quando a situação mudou, virou um problema.
A supressão de incêndios deixou os ecossistemas do oeste norte-americano homogêneos, com predominância de coníferas entre 80 e 90 anos, a idade perfeita para uma árvore virar vítima dos besouros. "Eles adoram os pinheiros maduros. Não conseguem entrar nos troncos das árvores jovens, com menos de 15 centímetros de diâmetro", explica Konkin. Diante da primeira infestação no Tweedsmuir, os técnicos recomendaram o abate em massa de árvores no local. "Mas as florestas têm um apelo político enorme na província e o governo proibiu os cortes", recorda.
Nos dois anos seguintes, a infestação se espalhou com tamanha rapidez que a única opção para combatê-la era incendiar vastas áreas de floresta. O governo até topou. "Ao contrário do corte, a população é mais tolerante à idéia do fogo, porque ele lhe parece natural", diz Konkin. Mas o clima não ajudou. "Ou chovia demais, impedindo o uso do fogo, ou ficava seco demais, o que trazia o risco das chamas fugirem do controle". Ele conta que, de todo modo, conseguiram queimar algumas áreas e, pelo menos nelas, a população do besouro recuou.
Tiros pela culatra
"Fiquei com a impressão de que iríamos derrotar o inseto", comentou Konkin. Ledo engano. Em 2002, a área de árvores infectadas já era extensa demais para domar o besouro com fogo. Aventou-se então a heresia de defender os pinheiros com inseticida. A opção, no entanto, não era muito prática. E era cara. Para funcionar, o veneno não podia ser aspergido do alto, com o auxílio de aviões. Tinha que ser aplicado individualmente, começando por baixo, na base do tronco e indo até a copa da árvore. A alternativa que sobrou foi aumentar o volume anual de derrubada de árvores.
Novamente, a política falou mais alto. A população ficou contra e o governo não quis se arriscar a enfrentar sua ira nas urnas. Coube às árvores a tarefa de lutar sozinhas contra os insetos. Mas nas condições de invernos brandos e excesso de besouros no ar, suas defesas naturais viraram tiros pela culatra. Ao se sentirem ameaçados pelas armas da conífera - sua seiva para afogar larvas e sua resina para encapsular os besouros e impedir sua reprodução - os inimigos reagiram com uma força incomum. Ameaçados pela resina, os besouros liberam um feromônio que atrai mais companheiros para atacar os pinheiros.
O pedido de ajuda trazia hordas de insetos, numerosas demais para uma árvore solitária suportar. Sua tentativa de matá-los, na verdade, só fazia crescer a infestação. A outra linha de defesa disparada contra as larvas, na primavera, padecia do mesmo problema. Ante a ameaça do afogamento, elas produzem um fungo para ressecar o tronco, que deixa seu miolo com uma cor azulada. Para uma árvore severamente infectada, isso significava ter que enfrentar uma superprodução de fungos, o que basicamente destruía sua capacidade de resistência e acelerava sua morte.
A devastação trazida pelos besouros mudou as cores das florestas no oeste norte-americano. O verde predominante foi substituído por um vermelho-ferrugem, o sinal externo de que os pinheiros morreram. A mudança demora um ano para acontecer. A partir daí, os galhos começam a perder as agulhas, os troncos racham, adquirem uma cor acinzentada e ficam suscetíveis a tombar diante de qualquer vento mais forte. O ataque dos besouros, no entanto, têm conseqüências que vão muito além da morte das árvores.
Mudando as florestas de lugar
A infestação alterou radicalmente a natureza da região. Sem os pinheiros para mantê-los em seus cursos, rios e riachos da Colúmbia Britânica ficaram vulneráveis às enxurradas. A freqüência de trombas-d'água está devastando ecossistemas fluviais importantes para a reprodução de castores e de salmões. A queda em massa de árvores deixou também vastas extensões de terra sem a devida cobertura vegetal para segurar a água das chuvas no solo. "A seca aumentou e o acúmulo de material combustível fêz crescer a intensidade dos incêndios florestais", conta Konkin.
"Hoje, a maioria deles é de classe cinco, a mais violenta. Se você não conseguir chegar aos focos em dez minutos, fogem totalmente do controle", afirma ele. A gravidade da situação é tamanha que as derrubadas, tão rejeitadas por políticos e população, terão que ser ampliadas. Não necessariamente para matar os besouros, mas para controlar a virulência do fogo. "Hoje cortamos 70 milhões de metros cúbicos por ano. É provável que isso seja ampliado para 90 milhões de metros cúbicos", diz. Para aplacar o público, Konkin conta que os técnicos estudam maneiras de fazer com que a paisagem das áreas que sofrerão cortes fique mais heterogênea, com uma ou outra árvore de pé, semelhante ao visual de zonas que passaram por incêndios. "O fogo é politicamente mais palatável que a motosserra", justifica.
Com um ar meio resignado, de quem perdeu uma guerra e agora corre atrás para apenas diminuir o prejuízo, ele deposita suas esperanças de recuperação na própria natureza. Trinta por cento das árvores mortas na Colúmbia Britânica têm mudas jovens crescendo próximas aos seus troncos. Elas são saudáveis e estão produzindo sementes em quantidade adequada. Mas essa regeneração, por si só, não é garantia de regeneração para as florestas. A seca prolongada e o aumento da temperatura significam menos água para assegurar a sobrevivência dos pinheirinhos. "Eles não terão como se ajustar sozinhos a esse novo contexto", diz Konkin.
Por conta disso, o ministério de Florestas da Colúmbia Britânica está estocando sementes e estudando como plantá-las em latitudes mais frias, ao Norte, para reconstituir suas florestas em condições semelhantes as que existiam na sua área geográfica original. "O grande problema desse plano não é necessariamente fazer a floresta andar, mas quando fazê-lo", diz Konkin. "Se a mudança acontecer cedo demais, elas correm o risco de morrer pelo excesso de frio. Se for tarde demais, o calor talvez já tenha comprometido as mudas de tal forma que não teremos mais o que mudar".
Vídeo do WWF-Brasil conscientiza sobre aquecimento global
O primeiro vídeo da trilogia Pense de Novo, batizado como “MUNDO”, mostra que as ações do homem estão causando o aquecimento do planeta por causa da emissão excessiva de gases de efeito estufa que formam uma espécie de cobertor de fumaça em volta do globo terrestre e impede o calor de sair da atmosfera.
Alerta para as conseqüências do desmatamento
O aquecimento global não é um fenômeno natural, mas um problema criado pelos homens. Qualquer pequena tora de madeira, cada gota de óleo e gás que os seres humanos queimam são jogados na atmosfera e contribuem para as mudanças climáticas. É assim que acontece cerca de 75% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, levando o país a ser o 4o. maior emissor do planeta. Preocupado com o tema, o WWF-Brasil preparou a trilogia Pense de Novo, uma série de três animações que busca chamar a atenção das pessoas para as mudanças climáticas, seus principais efeitos, causas e soluções. O segundo vídeo da série aborda o maior problema brasileiro para as mudanças climáticas: o desmatamento. Ao serem cortadas e queimadas, as árvores liberam para a atmosfera o dióxido de carbono que havia nelas
Soluções para conter o aquecimento global
Soluções para conter o aquecimento global na área de energia e novas tecnologias é o tema do último vídeo da trilogia Pense de Novo do WWF-Brasil. A série de três animações chama a atenção para as mudanças climáticas, seus principais efeitos, causas e soluções. Todos os vídeos transmitem conteúdo sério, de forma lúdica, animada e descontraída, pedindo que todos "Pensem de Novo" sobre suas ações e as conseqüências delas para o planeta. A data foi escolhida por causa da proximidade com a última etapa deste ano das negociações internacionais sobre clima. Para deter as mudanças climáticas é fundamental que um novo acordo global sobre clima seja fechado em 2009 e o WWF-Brasil está engajado nas discussões para garantir que o mundo faça um pacto justo e eficiente. A 14ª Conferência das Partes (COP) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas será de 1 a 12 de dezembro em Poznam, na Polônia. O WWF-Brasil espera que os líderes mundiais presentes nesta última etapa de negociações internacionais sobre clima sejam ousados e comprometidos em deter as mudanças climáticas e avancem nas propostas para que o novo acordo saia como desejado.
Energia No mundo, o setor de energia é responsável por 37% de todas as emissões de gás carbônico, o que representa 23 bilhões de toneladas de CO2 lançadas por ano na atmosfera, ou seja, mais de 700 toneladas por segundo. Esse percentual coloca o setor de energia em primeiro lugar como emissor de gases de efeito estufa. Por enquanto, a matriz energética brasileira é considerada uma das mais limpas do planeta. Atualmente, 75% da energia elétrica gerada no país vêm de hidrelétricas. Entretanto, as termelétricas movidas a gás e petróleo têm ganhado espaço nos recentes leilões nacionais de energia. Se o Brasil optar por seguir o modelo energético das nações industrializadas, considerado mais poluente, o país contribuirá para agravar para os problemas relacionados às mudanças climáticas na Terra. O Brasil é o quarto maior emissor mundial de gases causadores do aquecimento do planeta, principalmente por causa do desmatamento e das queimadas. Este foi o tema do segundo vídeo da trilogia, lançado no Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho. O primeiro vídeo mostra que as ações do homem estão causando o aquecimento do planeta por causa da emissão excessiva de gases de efeito estufa que formam uma espécie de cobertor de fumaça em volta do globo terrestre e impede o calor de sair da atmosfera.
Divulgar para preservar
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – Os caminhos concretos para a transformação do conhecimento científico em políticas públicas de conservação. Esse foi o tema debatido nesta terça-feira (11/11), em São Paulo, no último dia do simpósio “Biologia evolutiva e conservação da biodiversidade: aspectos científicos e sociais”.
Um dos aspectos debatidos no evento – realizado pelos programas Biota-FAPESP e bioGENESIS, da organização internacional Diversitas, sediada no Museu de História Natural, em Paris, na França – foram as estratégias mais favoráveis para sensibilizar os gestores públicos e a sociedade para a necessidade da preservação da biodiversidade.
O debate final foi conduzido pelos dois coordenadores científicos do evento: Carlos Alfredo Joly, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e ex-coordenador do Biota-FAPESP, e Lúcia Garcez Lohmann, professora do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e integrante brasileira do comitê científico do bioGENESIS.
Depois de apresentar, no primeiro dia, os mais recentes avanços da pesquisa na área de biologia evolutiva e suas implicações para a aplicação na conservação da biodiversidade, o simpósio dedicou o último dia a debater os mecanismos para a efetiva aplicação desses estudos.
“Trouxemos participantes de várias das instituições que trabalham para fazer essa ligação entre a pesquisa científica e aplicações. O objetivo era orientar estudantes, professores e pesquisadores que querem fazer isso e não têm idéia de como proceder”, disse Lúcia à Agência FAPESP.
Segundo ela, o evento permitiu que os participantes situassem suas próprias pesquisas no cenário das últimas inovações da área e também em relação às instituições encarregadas de levá-las ao plano prático. “Os pesquisadores puderam avaliar a relevância de seus próprios estudos”, disse.
Além da Diversitas, do bioGENESIS e do Biota-FAPESP, a professora se referia a instituições como o Mecanismo Internacional de Expertise Científica em Biodiversidade (Imoseb), o Biodiversity Observation Network (Geo Bon) e a rede européia European Distributed Institute of Taxonomy (Edit).
Uma questão sobressaiu no debate com o público: que meios utilizar para convencer a opinião pública e, conseqüentemente, os tomadores de decisão, de que a preservação da biodiversidade tem importância crucial.
“Quase sempre, nas discussões sobre a tomada de decisões relacionadas à conservação da biodiversidade, os aspectos relacionados aos serviços de ecossistemas são levantados. Esse é um ponto que nós biólogos – em particular os taxonomistas – temos tentado colocar em discussão, porque restringe a necessidade de conservação a uma visão utilitária dos organismos. Achamos que é preciso preservar a biodiversidade por si mesma”, disse Lúcia.
Para a maior parte dos cientistas presentes, o melhor caminho para estimular as políticas de preservação é o conhecimento da biodiversidade. “As pessoas querem preservar o que conhecem. Por isso costumamos dizer que a taxonomia está para a conservação assim como a língua está para a educação. Sem conhecer, não há como preservar”, afirmou.
Para Michael Donoghue, da Universidade Yale, nos Estados Unidos, a importância dos serviços de ecossistemas – como regulação da erosão, manutenção da qualidade do ar, purificação da água, controle de doenças e provisão de produtos naturais – é sempre ressaltada porque “parece ser uma argumentação mais fácil de ‘vender’ para quem cria as políticas de conservação”.
“Mas acho que esse não é o único tipo de estímulo que gera resposta nos gestores públicos. A maior parte da população não sabe o que são serviços de ecossistemas. Por outro lado, a preservação de pandas e baleias tem uma apelo muito popular, sendo que o fim dessas espécies não representaria a supressão de nenhum serviço de ecossistemas”, apontou.
Elena Conti, professora da Universidade de Zurique, na Suíça, enfatizou o papel importante da educação e da divulgação científica para influenciar as tomadas de decisão.
“O papel dos biólogos inclui a produção de mais materiais didáticos que ajudem as crianças a conhecer a biodiversidade, estimulando a vontade de preservar. Eu gostaria de ver a produção de filmes que mostrassem como ficaria o mundo em diferentes cenários de redução da biodiversidade”, sugeriu.
Expressão e negociação
Para Maria Cecília Wey de Brito, secretária de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), se gestores, responsáveis por políticas de conservação ou a opinião pública não dão importância suficiente à biodiversidade, a razão disso não é uma suposta falta de sensibilização.
“A comunidade científica deveria rediscutir sua argumentação e sua forma de expressão do conhecimento. Se ninguém entende o que dizemos ou se ninguém faz uso do que ensinamos, há algo de errado na comunicação”, disse à Agência FAPESP.
Segundo ela, é preciso diminuir a distância subjetiva existente entre a comunidade científica e os especialistas em conservação que atuam em entidades governamentais.
“Eu não me sinto distante desse público de pesquisadores. E é evidente que não preciso ser sensibilizada em relação à importância da biodiversidade. Mas falta à comunidade ambientalista – em seu sentido mais amplo – entender que não há como fazer as coisas virarem realidade sem negociações. Não há meios para fazer prevalecer sempre os pontos de vista de nenhum grupo, ainda que eles sejam absolutamente relevantes”, afirmou.
Ao responder às perguntas da platéia após sua exposição no simpósio, Maria Cecília debateu com pesquisadores a polêmica em torno da divulgação, em setembro, da lista das espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção.
A lista original elaborada pela Fundação Biodiversitas, sediada em Minas Gerais e incumbida pelo governo de fazer a pesquisa, apresentava 1.495 espécies. O MMA, no entanto, publicou uma lista com 472 espécies ameaçadas e outra lista com 1.079 espécies com deficiência de dados.
“Alguns pesquisadores acusaram o ministério de fazer uma lista política. Ela não era política, absolutamente. Mas a lista original era impraticável do ponto de vista da aplicação. As informações sobre muitas espécies eram insuficientes para confirmar o risco. Se deixamos passar algo assim e alguém descobrir que uma daquelas espécies existe em profusão, além de deslegitimar a lista inteira, vamos colocar a pessoa que vai aplicá-la em situação de improbidade administrativa”, disse.
A Petrobras por meio da sua usina de Biodiesel de Quixadá, no Ceará, entregou ontem sua primeira produção: o carregamento de 73 mil litros de biodiesel. A exemplo da unidade de Candeias (BA), a fábrica de Quixadá (CE) - tem capacidade de produzir 57 milhões de litros de biodiesel por ano.
A planta possui sistemas de produção totalmente automatizados, além de flexibilidade no processamento de óleos vegetais brutos e no uso de matérias-primas diversas, podendo processar sebo bovino e OGR — óleos e gorduras residuais. A Petrobras Biocombustível, comprometida com as premissas do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel e com Selo Combustível Social, já obtido para as usinas de Candeias e Quixadá, assume o desafio de ampliar a presença junto à agricultura familiar de uma forma socialmente justa e ambientalmente sustentável.
A empresa detém atualmente cerca de 54 mil parceiros no campo. Além das duas usinas em operação, uma terceira - localizada em Montes Claros (MG) - está em fase final de instalação. A capacidade total de produção das três usinas será de 170 milhões de litros por ano.
Desafio do milênio
A comunidade científica aprovou um novo programa internacional de pesquisa que tem o objetivo de avaliar a relação entre o homem e os ecossistemas que fornecessem recursos essenciais para a preservação da vida no planeta.
A decisão foi tomada na quarta-feira (22), durante a assembléia-geral do Conselho Internacional da Ciência (ISCU, na sigla em inglês), realizada em Maputo, Moçambique. Segundo os idealizadores, a iniciativa deverá ajudar a fornecer o conhecimento científico necessário para o uso sustentável dos ecossistemas.
Os ecossistemas ameaçados fornecem benefícios essenciais para a vida, como alimentos, água, habitat, recuperação de nutrientes, formação e conservação do solo. Em 2005, o relatório de Avaliação Ecossistêmica do Milênio, encomendada pela Organização das Nações Unidas, destacou que, por causa da ação humana, mais de 60% dos serviços dos ecossistemas – tais como água doce, pesca, regulação do solo e do clima – registravam alto grau de degradação ou eram usados de forma insustentável. O processo, de acordo com o relatório, tende a se agravar nos próximos 50 anos, colocando em risco a sobrevivência das gerações futuras.
“Mudanças climáticas, poluição, alterações no uso da terra e espécies invasoras, somadas ao crescimento populacional, ao aumento do consumo, à globalização e à urbanização, têm colocado uma enorme pressão no meio ambiente para que ele possa continuar a suprir os serviços de que precisamos”, disse Hal Mooney, coordenador do grupo que recomendou o novo programa.
“A menos que façamos algo imediatamente, a maré de destruição continuará, causando perda catastrófica na biodiversidade, ampliação da pobreza e crise econômica”, afirmou o também professor do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Stanford, nos Estados Unidos.
Segundo ele, enquanto a Avaliação Ecossistêmica do Milênio mostrou em que ponto está a sociedade em relação ao uso dos recursos do planeta, há ainda uma enorme quantidade de pesquisa que precisa ser feita, especialmente nas áreas de conhecimento que não foram devidamente analisadas no relatório de 2005.
O ISCU, ao lado da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e da Universidade das Nações Unidas, coordenará os trabalhos para instituir o novo programa, denominado Mudanças Ecossistêmicas e Bem-Estar Humano.
Para os proponentes da iniciativa, as pesquisas precisam começar imediatamente de modo a poder integrar a segunda Avaliação Ecossistêmica do Milênio, que deverá ser feita nos próximos sete anos.
“O novo programa atrairá também pessoas de fora da comunidade científica para ajudar a definir a agenda e suas prioridades. O programa estará bem posicionado para responder a questões relevantes de políticas públicas de modo que as mudanças possam ser feitas antes que seja tarde demais”, disse Mooney.
De acordo com ele, o programa interligará as ciências naturais e sociais com serviços do ecossistema, o subconjunto de funções do ecossistema que são úteis aos seres humanos. Também integrará os três pilares do desenvolvimento sustentável: ambiental, econômico e social.
(Fonte: Agência Fapesp)
BIODIVERSIDADE Extinção ameaça um quarto de todas as espécies vivas
DA FRANCE PRESSE
Um quarto de todas as espécies existentes pode estar em algum grau de risco de extinção. É o que afirma um estudo divulgado ontem no encontro da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza), em Barcelona. Apesar de não avaliar a situação de todos os seres vivos do planeta, a pesquisa analisou grande parte deles. O autor da estimativa, Jonathan Baillie, da Sociedade Zoológica de Londres, projetou os números a partir da chamada lista vermelha, o documento anual da IUCN que avalia o estado de alguns grupos específicos de seres vivos, como aves, mamíferos, anfíbios e algumas plantas. Após escolher algumas amostras aleatoriamente e fazer a projeção, o cientista, apresentou seus números. "A idéia de que uma em cada quatro espécies do mundo possa estar ameaçada não parece disparatada", disse. "Não sabemos ainda, porque não avaliamos grupos de invertebrados e de algumas plantas. Mas já começamos." Um quadro com 25% das espécies ameaçadas é precisamente aquele que se encaixa nos mamíferos. O levantamento mais detalhado já feito para este grupo vertebrado também foi divulgado ontem. Em estudo a ser publicado na revista "Science" cientistas afirmam que metade das espécies tem populações em queda, e um quarto delas já estão sob ameaça. Segundo a ONG Conservação Internacional, por trás dessa tendência estão principalmente o desmatamento tropical e a caça.
Vaticano aceita evolução, mas não se desculpa com Darwin
Philip Pullella No Vaticano
O Vaticano disse nesta terça-feira que a teoria da evolução é compatível com a Bíblia, mas não planeja um pedido de desculpas póstumo a Charles Darwin pela fria recepção dada a ele há 150 anos.
O arcebispo Gianfranco Ravasi, o ministro da Cultura do Vaticano, deu a declaração durante o anúncio de uma conferência de cientistas, teólogos e filósofos que acontecerá em Roma em março de 2009, marcando os 150 anos da publicação da obra "A Origem das Espécies" de Darwin.
Igrejas cristãs são há muito tempo hostis a Darwin, pois sua teoria conflitava com a acepção bíblica da criação.
Mais cedo nesta semana, um importante membro da Igreja anglicana, Malcom Brown, disse que a instituição devia desculpas a Darwin pela maneira na qual suas idéias foram recebidas na Inglaterra.
O papa Pio 12 descreveu a evolução como uma abordagem válida do desenvolvimento humano em 1950 e o papa João Paulo segundo reiterou o fato em 1996. Mas Ravasi disse que o Vaticano não tinha a intenção de se desculpar por sua visão negativa anterior.
"Talvez devêssemos abandonar a idéia de emitir pedidos de desculpas como se a história fosse um tribunal que está eternamente em sessão", disse, acrescentando que as teorias de Darwin "nunca foram condenadas pela Igreja Católica e nem seu livro havia sido banido".
O criacionismo é a crença de que Deus teria criado o mundo em seis dias, como é descrito na Bíblia. A Igreja Católica interpreta a acepção do Genesis literalmente, dizendo que ela é uma alegoria para a maneira na qual Deus criou o mundo.
Alguns outros cristãos, na maioria protestantes nos Estados Unidos, lêem o Genesis literalmente e protestam contra o fato de a evolução ser ensinada em aulas de biologia em colégios públicos.
Sarah Palin, a candidata à Vice-presidência pelo Partido Republicano, disse em 2006 que apoiava que o criacionismo e a teoria da evolução fossem ensinados nas escolas, mas afirmou subsequentemente que o criacionismo não deveria necessariamente ser parte do curso.
Mico-leão preto salta na lista Trabalho de conservação tira espécie da categoria “criticamente ameaçada” para “ameaçada” na lista vermelha da IUCN
Foto: Thomas Berthelsen
O mico-leão preto, espécie endêmica da Mata Atlântica, saiu da categoria de espécie “criticamente ameaçada” para “ameaçada” na lista vermelha 2008 (Red List 2008) da União Internacional para a Conservação da Natureza (em inglês, IUCN). A subida de um degrau na lista - parâmetro mundial de espécies em risco - pode ser considerada por muitos um pequeno avanço, mas é motivo de comemoração para instituições engajadas em trabalhos de preservação. O resultado é fruto do trabalho de conservação realizado pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê) há mais de 25 anos, no qual o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) foi um dos parceiros doadores.
A espécie foi redescoberta em 1970, já sob risco de extinção, no município de Teodoro Sampaio, no interior paulista. À época da redescoberta não havia nenhuma informação catalogada sobre o primata. No começo dos anos 80 o Instituto Ipê de Pesquisas Ecológicas iniciou um levantamento de dados a respeito da espécie no Pontal do Paranapanema, onde foram contabilizados apenas cerca de 150 animais. Os estudos evoluíram de avaliações básicas para levantamentos mais refinados à medida que o instituto angariava mais recursos para o projeto com diferentes parceiros.
Os dados apontaram os principais fatores que ameaçavam a espécie, e praticamente todos tinham como causa o desmatamento e as pressões ao habitat do animal, causados pela ação humana.
Como parte do trabalho de conservação, o Ipê iniciou trabalhos de educação ambiental nas comunidades, implementando alternativas econômicas e modelos de conservação. Em 2003 o projeto tomou novas proporções por meio de uma doação de R$ 480 mil do Funbio, dentro do Programa Fundos de Parceria, que viabilizou um mapeamento da espécie em toda região do interior paulista. A iniciativa permitiu a descoberta de novas populações do primata em áreas particulares.
“O levantamento da área gerou um impacto muito grande, pois além de ter possibilitado a descoberta de novas populações da espécie, conseguimos entender melhor o comportamento desse animal. É uma espécie plástica, adaptável, mas não consegue sobreviver sozinha”, explica a coordenadora do projeto no Ipê, Cristiana Saddy Martins.
Agora o desafio é maior, pois com a expansão da área ocupada pela espécie a continuidade do trabalho de conservação se amplia. Além disso, mesmo fora da lista mais crítica da IUCN, existem apenas 1.200 micos-leões pretos. O número é muito superior em relação à população estimada à época sua redescoberta, mas muito pequeno para que os responsáveis pelo projeto de conservação possam respirar aliviados. As ações de recuperação do habitat, os trabalhos de manejo, integração de áreas remanescentes e o monitoramento devem se manter por um bom tempo.
Segunda Cláudia de Souza, coordenadora do Programa Fundos de Parceria no Funbio, a saída do animal da lista da IUCN, a qual terá a nova versão publicada em outubro, foi uma grande conquista. Ela também acredita que a descoberta de novas áreas habitadas pela espécie é muito importante para a continuidade do projeto.
“Estamos felizes por ter contribuído com o projeto. Com a descoberta de novas áreas, foi iniciado um trabalho de educação ambiental e conscientização da população, em parceria com os governos locais, proprietários privados e ongs socioambientalistas”, disse Cláudia.
A recuperação da espécie exemplifica o esforço feito por diversas instituições para tentar amenizar os diversos impactos causados pelo desmatamento. No cronômetro da realidade da biodiversidade, nos últimos 20 anos perdemos cerca de 15.880 km² da Mata Atlântica, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Nesses últimos 40 anos, milhares de espécies brasileiras deixaram de existir. Estimativas apontam que, por dia, 72 espécies são riscadas do planeta. Se você levou 20 minutos para ler essa matéria, foi tempo suficiente para que uma espécie desaparecesse do ambiente.